De Olho No Dente De leite – Qual a importância do acompanhamento dessa fase?

A troca de dentes na primeira infância é tão normal quanto o crescimento. Além de gerar sorrisos pra lá de engraçados também é a prova de que tudo vai bem. Será?

Como um processo natural, a mudança de dentição, muitas vezes, não recebe a devida atenção

O crescimento e desenvolvimento da criança na fase gestacional está diretamente relacionado à saúde materna. Três acontecimentos podem afetar diretamente o desenvolvimento dos dentes do feto/ bebê: se a mãe tiver uma febre virótica ou qualquer outra infecção (ocorrência comum entre o quinto e o nono mês de gestação), o equilíbrio delicado dois sais de cálcio e fósforo na sua corrente sanguínea pode ser afetado. Isso irá influenciar a qualidade e a quantidade da estrutura dentária que está se formando. A ruptura na formação do dente irá continuar até que o equilíbrio do sistema da mãe se restabeleça.

Outro evento que interferirá no desenvolvimento da estrutura dentária do feto/bebê é o uso do antibiótico Tetraciclina pela mãe.

A amamentação influencia diretamente no desenvolvimento dos dentes e maxilares do bebê. Além de alimentar a amamentação “educa” os músculos dos lábios, das bochechas, língua e da face para cada vez mais dar combustível ao corpo.

Esses músculos junto com as papilas linguais, as terminações nervosas sensíveis ao calor, as glândulas salivares e, mais tarde os dentes, complementam o aparelho mastigatório para que os alimentos possam ser avaliados, manipulados, mastigados e deglutidos.

 

A partir de que idade é ideal levar a criança ao dentista e com que periodicidade?

A partir dos dois anos de idade. Ambientá-la ao consultório e, a todos os aparelhos e instrumentais que fazem parte da assistência odontológica facilitará a intervenção profissional, preventiva ou não. Entretanto, existem crianças que desenvolvem cáries de mamadeira que precisarão ter um acompanhamento o quanto antes. Por tal razão, não devemos introduzir na dieta da criança a sacarose, o açúcar fermentável, potencialmente criogênico.

 

Como e quando ocorre esta fase de mudança dentária?

Os dentes decíduos ou “de leite” aparecem na cavidade bucal entre os 6 e 14 meses de vida. São importantes por serem responsáveis pela manutenção dos espaços adequados para os dentes permanentes irromperem. Eles servem de guia para os dentes permanentes. Ajudam no desenvolvimento da face e dos maxilares, influenciando o crescimento, a altura e a forma do rosto. E ainda, na primeira fase da digestão dos alimentos assim que a criança começa a comer alimentos sólidos. Dentes decíduos livres de cáries, sadios criam ambiente saudável para a dentição permanente.

 

Que problemas podem advir dela, da falta de acompanhamento?

  1. A) Danos aos dentes decíduos anteriores podem causar infecções e distúrbios na cor, na forma e no tamanho dos dentes permanentes anteriores;

B). Se a doença cárie estiver instalada na dentição decídua, certamente o primeiro dente permanente a irromper o primeiro molar, será infectado pelas bactérias;

  1. C) se um dente decíduo estiver infeccionado e sua raiz com abscesso, a infecção pode destruir o dente permanente que está abaixo dele, dentro do osso;
  2. D) O primeiro molar permanente que irrompe aos 6 anos de idade será a chave para o posicionamento dos outros dentes permanentes. É importante, entretanto, manter os primeiros e segundos molares decíduos saudável e em posição normal, pois disso depende o correto posicionamento desse dente tão importante para o arco dental.

Dentes de leite sadios corresponderão a dentes definitivos sadios? E os doentes?

Cabe ressaltar alguns marcos importantes no crescimento e desenvolvimento nos dentes da criança do 1° ao 13° ano de vida. No primeiro aniversário os incisivos inferiores e superiores estão presentes.

Os primeiros molares estão prestes a irromper. O maxilar aumenta de altura e espessura enquanto a cartilagem e o osso crescem.

No terceiro ano já estão presentes todos os dentes na boca. A oclusão está sendo estabelecida. Já no quinto ano inicia – se a reabsorção das raízes dos incisivos, ficando moles, dando condições para a irrupção dos incisivos permanentes.

O sexto ano se caracteriza pela perda do incisivos centrais, geralmente os inferiores e , a irrupção dos primeiros molares permanentes, atrás do último molar decíduo. No décimo ano os incisivos permanentes estão irrompidos, os primeiros molares decíduos estão caindo, guardando o espaço para os pré – molares. E finalmente, no décimo terceiro ano os primeiros, segundos molares e caninos já estarão presentes. Os músculos da boca e da face estarão crescendo com o objetivo de trabalhar o tanto que é exigido por dentes de adulto, assim como, os ossos da face e mandíbula estarão atingindo as dimensões e força dos de um adulto.

 

Que doenças podem surgir na fase adulta por falta de cuidados na primeira infância?

Apinhamemto dentário, cárie dentária, perda dentária, problemas oclusais, dor e disfunção miofacial (dor na articulação temporomandibular), cefaléia, má formação facial, problemas gástricos (devido a mastigação ruim) e gengivite (inflamação na gengiva).

 

Fonte: Revista Glanti. Março/Abril/2018.